Resultado da brilhante participação dos alunos da Escola de Hotelaria e Turismo de Vila Real de Santo António, na terceira edição do Troféu do Paludier, concurso de cozinha e restauração (Guérande – França), surgiu um convite.
Os concorrentes de cozinha, Fábio Domingues e Isa Sebastião que conseguiram o primeiro e o segundo lugar, respectivamente, foram convidados por o Chefe Jean-Claude Pastoureau a participar no 5º Campeonato Europeu de Cozinha “Lauriers d’Or”.
Uma vez, que a idade para participar era entre os 22 e 32 anos, coube a mim, Isa Sebastião, com 22 anos, a primeira participação portuguesa no concurso de cozinha realizado em França.
Organizado por 26 Chefs da APCAL (Associação para o Promoção da Cozinha l'Atlantique à la Loire), presidido por o chefe Laurent Saudeau (Manoor de la Boulaie, 2 estrelas Michelin) e organizada pela CCI Nantes St-Nazaire, o Troféu Europeu "Lauriers d'Or" destina-se a destacar os futuros chefs de cozinha da Europa e é um dos concursos de grande prestigio em França.
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| A empratar a Amouse-bouche |
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| A desossar o primeiro coelho... |
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| Concorrente da Inglaterra, Escócia, Finlândia, Espanha e...Portugal! |
O Menu apresentado por mim a concurso foi:
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| Cremoso de Lagostins aromatizado com cebolinho |
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| Coelho recheado com farinheira de Monchique, pudim de beterraba, puré de batata doce de Alzejuz, bouquet de legumes e jus da peça |
Nem sempre as coisas correm como esperamos, e neste caso a sorte não esteve do meu lado. Chegada a Nantes por volta das 18h , e depois de esperar algum tempo no aeroporto vejo que a minha mala (devidamente identificada com nome, telefone, morada, e ainda um lenço com as cores da bandeira portuguesa), que continha todo o meu material de cozinha, pratos, e produtos a ser utilizados estava perdida! Dirigi-me ao posto de lost and found, e expliquei a situação. A resposta que obtive da funcionária da Air France, e que podia ser que na manhã seguinte pudesse aparecer.
Ora, no dia a seguir era o dia do Concurso. A organização do concurso foi me buscar ao hotel por volta das 13.30h, e levou me a mim e aos outros participantes até ao recinto. Depois de várias chamadas, informam-me que apareceu uma mala. A poucos minutos do ínicio do concurso, tinha esperança de que fosse a minha. Mas não, a mala que tinha aparecido era do meu Chefe, que comigo tinha viajado.
Fiquei em estado de choque, ingredientes e utensílios fulcrais do meu menu tinham ido sei lá para onde...! A 30 minutos antes da minha prestação, tive que tentar conseguir material, ingredientes, pratos, etc. Apesar da peripécia que foi a organização foi prestável e consegui-me disponibilizar algum material necessário.
Finlândia, Espanha, Escócia, Letónia, Inglaterra, e França, com 2 participantes, foram os restantes países a concorrer em Nantes.
A prova teve a duração de 4horas, e posterior avaliação do jurí técnico e de degustação, que assim ditou os vencedores. O 1º lugar coube ao francês Sébastien Caillaud, 30 anos e a trabalhar num restaurante com 2 estrelas Michelin, que levou para casa 4500€ . O 2º lugar ficou também em França, e o 3º lugar foi para a Finlândia.
No final do concurso, participantes, chefes, jurís, e alguns convidados tivemos o prazer que ir jantar num barco que passeava pelo rio La Loire, com musica ao vivo, e com vinhos adequados para cada prato. O menú servido foi: Ceviche de vieiras, Robalo com crosta de especiarias e puré de batata vitelote, Selecção de queijos, Bolo de chocolate com seu bombom e ganache...muito bom!!!
Embora não tenha ficado no pódio, o balanço final foi positivo, pois só o facto de participar num concurso internacional representando o meu país é um motivo de orgulho . Apesar de ter poucos anos de experiencia, sei que dei o melhor, e dei a conhecer produtos portugueses. Acredito que temos que ser nós a apostar nos nossos magníficos produtos, porque existe muito mais para além do bacalhau.
Infelizmente em Portugal não há cultura gastronómica, ao contrário do que acontece em França, Espanha, Itália. Aqui em Portugal temos os excelentes produtos, o melhor marisco e o melhor peixe do mundo, no entanto estes não são devidamente valorizados
A formação adquirida na EHT VRSA foi imprescindível, tanto neste concurso como para o inicio da carreira de um futuro cozinheiro. Por isso, tenho que agradecer à minha turma de Gestão e Produção de Cozinha, aos meus chefes de cozinha: Diogo Pereira, e Humbertos Paulos, por todo o que aprendi e pelo apoio constante e conselhos dados, foram fundamentais. Agradecer também ao Chefe de restauração e bar, Ismael Valente, e ao Director da ETH VRSA, David Murta!














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